26 de Julho de 2016
Mateus 13,16-17
“Felizes são vossos olhos, porque
veem, e vossos ouvidos, porque ouvem! Em verdade vos digo, muitos profetas e
justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram; desejaram ouvir o que
estais ouvindo, e não ouviram”.
Entendendo
“FELIZES OS VOSSOS OLHOS QUE
VEEM, E VOSSOS OUVIDOS QUE OUVEM!”
Jesus falava em parábolas. A parábola era uma historinha inventada por
Jesus, geralmente das coisas corriqueiras do dia-a-dia para passar uma
mensagem. Embora simples, exigia interpretação por parte dos ouvintes. Era
necessário ser capaz de buscar seu sentido oculto.
Na mensagem de hoje ele exalta os olhos e ouvidos que veem e ouvem. Ele
se refere à felicidade reservada aos seus discípulos, porque souberam abrir os
ouvidos para ouvir a mensagem, e abrir os olhos para ver os sinais que Ele
estava realizando, através de curas, milagres e graças diversas.
Por outro lado, se refere à multidão e autoridades do povo que continuam
sem entender o projeto do Pai, porque seu coração, seus olhos e ouvidos
continuam fechados.
Atualizando
SABER ESCUTAR É UMA
VIRTUDE E UM GESTO DE HUMILDADE
No Evangelho de hoje, Jesus exalta os que
tiveram a capacidade de exercitar com humildade e sabedoria, dois sentidos: o
da escuta e da visão. Graças a essa virtude, muitos puderam interpretar os
sinais de Deus na história.
Trazendo para a nossa realidade
contemporânea, aciono a área da comunicação e me sirvo de parte da reflexão do
jornalista Jorge Cury Neto, quando reflete sobre o desafio que é a arte de
aprender a ouvir:
“Saber ouvir é perceber, entender,
compreender, dar atenção, valorizar e respeitar o direito do outro de se
expressar até as últimas consequências, mesmo sem, necessariamente, concordar
com o que está sendo dito”.
Apesar de ser tão natural, a habilidade
de ouvir é um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento humano.
Já o escutar está relacionado com o
contexto existencial da alma do ouvinte, vinculando fenômenos mentais,
emocionais, da vontade, do temperamento, do humor, implica no ato de se colocar
no lugar do outro, da empatia que vem a se ajustar ao estilo, ao momento psicológico,
crenças e valores do interlocutor e, assim, conseguir melhor o entendimento.
Ouvir não significa simplesmente
acompanhar o que o falante está dizendo, mas aceitá-lo como ele é,
entender os seus contextos e circunstâncias, com suas virtudes e defeitos,
crenças e emoções, valores, conceitos e preconceitos.
As pessoas às quais recorremos quando
precisamos de ajuda são justamente aquelas que têm a disponibilidade para nos
ouvir, sem julgamentos ou sem a cobrança de um papo interessante.
É necessário que o ouvinte aprenda a
esvaziar-se de si mesmo, das suas ideologias, do seu repertório existencial,
das suas referências de vida, da sua visão de mundo, durante o momento sublime
da audição.
Citando a minha experiência sacerdotal,
nós, padres, necessitamos da capacidade de saber escutar cada pessoa que nos procura, seja para um aconselhamento
que pode nortear decisões importantes em sua vida, ou até mesmo no atendimento
de uma confissão. Aí, a boa escuta faz acontecer o milagre da comunicação saudável
e as revelações do espírito.
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