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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

29/02 - Jo 4,5-42

29 de Fevereiro de 2016


evandia

João 4,5-42

Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da propriedade que Jacó tinha dado a seu filho José. Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber!” Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar algo para comer. A samaritana disse a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” Jesus respondeu: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: ‘Dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva”. A mulher disse: “Senhor, não tens sequer um balde, e o poço é fundo; de onde tens essa água viva? Serás maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual bebeu ele mesmo, como também seus filhos e seus animais?” Jesus respondeu: “Todo o que beber desta água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna”. A mulher disse então a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água”. [...] A mulher disse-lhe: “Eu sei que virá o Messias (isto é, o Cristo); quando ele vier, nos fará conhecer todas as coisas”. Jesus lhe disse: “Sou eu, que estou falando contigo”. Nisto chegaram os discípulos e ficaram admirados ao ver Jesus conversando com uma mulher. Mas ninguém perguntou: “Que procuras?”, nem: “Por que conversas com ela?”. A mulher deixou a sua bilha e foi à cidade, dizendo às pessoas: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será ele o Cristo?” [...] Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava: “Ele me disse tudo o que eu fiz”. [...]




            Entendendo


O ENCONTRO DE JESUS
COM UMA MULHER VÍTIMA DE PRECONCEITOS

O evangelho de hoje traz, mais uma vez, a presença de Jesus quebrando preconceitos, no encontro com uma samaritana. Preconceito por ser mulher; por ser da Samaria, região odiada pelos judeus, por ter uma vida irregular do ponto de vista moral, e por acreditar em outra dimensão de fé. Jesus não quis saber de nada disso, abriu o coração e apresentou à mulher o Deus do Amor.

Quebrando todos os esses preconceitos relacionados, Jesus apresenta para a mulher a grande novidade – a "Água Viva". Ele afirma: "Quem beber da água que Eu lhe darei, esse nunca mais terá sede." É claro que Jesus falava da água que mata a sede de Deus, que cada pessoa sente em seu íntimo.

A reação inicial da mulher foi de rejeição, fruto de preconceitos. Ela não podia compreender como um judeu podia ter a ousadia de dirigir-se a uma samaritana, dado a inimizade histórica entre estes dois grupos. 

O comentário de Jesus, diante desta negativa, despertou nela certo interesse. Mergulhada na superficialidade da fé, a mulher imaginou a possibilidade de ver-se livre da obrigação de buscar água, naquele poço tão profundo. Assim, quando o Mestre falou de uma água que jorrava para a vida eterna, ela manifestou o desejo de obtê-la.

O Mestre em sua sabedoria pediu que ela trouxesse o marido. Isso para penetrar na vida pessoal da samaritana, e mostrar àquela mulher que a conhecia muito mais do que ela pensava. A partir daí ela começou a se abrir para a fé. O tema da água foi substituído pela adoração a Deus. Aos poucos, a mulher foi saindo da superficialidade, a ponto de perceber que tinha diante de si o Messias esperado.

Após fazer experiência profunda de Jesus Cristo é impossível não sentir-se no desejo de contar para outras pessoas. Foi o que fez a mulher. A partir daí, muitos acreditaram por causa do seu testemunho.


Atualizando


POR QUE SENTIMOS PRECONCEITO?

Temos a tendência de traduzir o diferente como uma forma de inimizade.

“Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem” (cf. Mt 5,44). Talvez este seja o versículo mais desafiador da Bíblia. Jesus propõe o extremo do amor, um amor que é capaz de dar a vida por um inimigo. “E Ele assim o fez” (cf. Rm 5,6-10).

Quem são nossos inimigos? Talvez vejamos como inimigos aqueles que, de alguma forma, declararam guerra contra nós ou nos fizeram algum mal. Mas o texto quer nos mostrar que mesmo estes devem ser amados. Existem formas amenas de inimizade, que são muito mais corriqueiras e, talvez por isso, mais desafiadoras. Uma delas são as diferenças entre nós, pois temos a tendência de traduzir o diferente como uma forma de inimizade.

Existem muitas formas de diversidades: raça, sexo, idade, capacidades naturais, religião, cultura, posição política, condição social, grupo social etc. Poderíamos ouvir Jesus dizer: “Amai os diferentes”.

Existem dois tipos de diferenças fundamentais:

Aquelas que advêm de uma condição natural. Um exemplo fundamental é a raça, a etnia, e podemos colocar aqui a diferença de cultura. Também aquelas que surgem por uma condição limitadora natural, como doenças, condições sociais, idade, capacidades naturais etc. Essas diferenças não carregam em si um valor moral. Elas estão acima de qualquer condicionamento, e qualquer restrição ao diferente fere gravemente a lei do amor. Nesse aspecto, o mais típico exemplo de violação ao respeito ao próximo é o racismo.

Outra forma de diversidade advém de ideias e opções contrárias entre as pessoas. Alguns exemplos são divergências de religião, posição política, grupos sociais e opções morais. Essas, sim, têm significado moral e, por isso, carregam uma complexidade maior na relação entre os diferentes. Jesus nos ensina a amar essas pessoas, o que não significa necessariamente concordar com a ideia ou opção delas. Ele acolhe e perdoa a adúltera, mas é incisivo em determinar seu valor de vida: “Vá e não peques mais” (Jo 8,11).


Nessa forma, o desafio é muito maior, porque podemos fazer duas confusões: misturar as ideias com as pessoas, em que os conflitos de pensamentos se transformam em conflito de pessoas, ou estar bem com o diferente, abrir mão de minhas ideias ou, pior ainda, abrir mão do valor dos pensamentos (meus e do outro), considerando tudo igual. Esse é o famoso relativismo, que tenta superar as diferenças abrindo mão da verdade. Nada mais simplório e enganosa solução.

O que faz do Cristianismo um caminho inigualável é essa busca do significado mais radical do amor, onde um da “raça divina” dá a vida pelos desprezíveis de raça humana enquanto estes ainda eram Seus inimigos (cf. Rm 5,6-10).

André L. Botelho de Andrade

é casado e pai de três filhos. Formado em Filosofia e Teologia.

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